» RICHARD GALLIANO «

 

 

 

Compositor – Acordeonista

 

Richard Galliano conseguiu impor o seu instrumento, o acordeão, em contextos musicais que antes o tinham ignorado, quer em festivais de jazz (Marciac, Vienne, Montréal, etc.) quer em salões de concertos clássicos (Academia Santa-Cecilia em Roma, Théâtre des Champs-Elysées de Paris, la Scala de Milão, etc.).

»»» Nasceu em Cannes em 12 de Dezembro de 1950. Estudou piano e acordeão com o seu pai, Lucien Galliano, antes de prosseguir com os seus estudos musicais no Conservatório de Nice, na altura sob a direcção do organista Pierre Cochereau. Estudou contraponto, harmonia e trombone, graduando-se em 1969 com o prémio “1 er Prix d'Excellence”. Em paralelo foi participando em competições internacionais de acordeão interpretando Bach, Tchaikovsky e Gershwin, tendo alcançado por dois anos consecutivos o primeiro prémio na competição internacional de acordeão “World Cup”, em 1966 em Valência (Espanha) e em 1967, em Calais (França) bem como o Pémio do Presidente em 1968 (sob o presidente Charles de Gaulle). «««

»»» Em 1973 troca o sul de França por Paris. Durante vários anos colaborou com Claude Nougaro, Barbara, Serge Reggiani, Charles Aznavour, Juliette Gréco, Georges Moustaki e Zizi Jeanmaire. Pelo seu desempenho no dueto com o cantor Allain Leprest no álbum “ Voce a Mano” , foi-lhe auferido pela Académie Charles Cros o prémio “Grande Prix du Disque”. Na área da canção francesa são de mencionar também os seus encontros musicais com a cantora Catherine Ringer (do grupo Rita Mitsouko) na Cité de la Musique (Paris) e no festival de jazz de Antibes, em Juan-Les-Pinos. «««

»»» Em 1983, Astor Piazzolla convidou Richard Galliano para tocar como solista de bandoneão na Comédie Française, para o arranjo musical original criado para a peça “Sonho de uma noite de Verão” de William Shakespeare, dirigido por Jorge Lavelli. Era o começo de uma longa amizade entre os dois homens e que durou até a morte de Piazzolla, em 1992. «««

»»» Entre 1980 e 2003 Richard Galliano partilha o palco com grandes músicos em concertos por todo o mundo (Paris, Nova Iorque, Moscovo, Londres, Buenos Aires, Montreal, São Francisco, Istambul, etc.). Toca com Chet Baker, Ron Carter, Joe Zawinul, Al Foster, Pierre Michelot, Biréli Lagrène, Jean-François Jenny-Clark, Eddy Louiss, Philip Catherine, Aldo Romano, Charlie Haden, André Ceccarelli, Michel Portal, Enrico Rava, Toots Thielemans, Jean-Charles Capon entre muitos outros. Durante este período compõe também numerosos trabalhos originais, muitos dos quais aclamados pela imprensa e pelo público. «««

 

»»» Em 1991 Richard Galliano criou o estilo “New Musette", que gravou com Philip Catherine (guitarra), Pierre Michelot (baixo) e Aldo Romano (bateria) para a editora Label Bleu. «««

»»» Em 1993, a “Académie du Jazz “concedeu-lhe o prémio Django Reinhardt, nomeando-o o melhor músico de jazz do ano. Nesse mesmo ano, grava o álbum Viaggio , o seu primeiro trabalho como parte integrante de um contrato exclusivo com a editora Dreyfus Jazz , com Biréli Lagrène (guitarra), Pierre Michelot (baixo) e Charles Belonzi (bateria). Nomeado para o prémio” Victoires de la Musique”, o álbum recebe o prémio Django d'Or como melhor álbum do ano. «««

»»» Em 1995, Richard Galliano gravou Laurita , com Joey Baron (bateria), Palle Danielsson (baixo) e outros três convidados de prestígio: Toots Thielemans (harmónica), Didier Lockwood (violino) e Michel Portal (clarinete). «««

»»» Em 1996, o seu terceiro álbum da editora Dreyfus Jazz, New York Tango , gravado em Nova Iorque com Al Foster (bateria) George Mraz (baixo) e Biréli Lagrène (guitarra), conquista um prémio no Victoires de la Musique. «««

»»» O álbum seguinte, Blow Up , gravado em 1997 em dueto com Michel Portal, tem um êxito estrondoso, vendendo mais de 100.000 cópias e conquistando vários prémios: Victoire de la Musique, o prémio Boris Vian (Académie du Jazz) e o Melhor Álbum Internacional (Musica Jazz). «««

»»» Em 1998, Richard Galliano grava French Touch com Jean-François Jenny-Clark (baixo), Daniel Humair (bateria), Michel Portal (saxofone), André Ceccarelli (bateria), Rémi Vignolo (baixo) e Jean-Marie Ecay (guitarra). O álbum, nomeado para o Victoires de la Musique e premiado o Melhor Álbum Internacional por Musica Jazz, é lançado após cinco anos de tournée do trio Galliano/Jenny-Clark/Humair. Infelizmente, o seu lançamento coincide com a triste notícia da morte de Jean-François Jenny-Clark, grande amigo de Richard Galliano. «««

 

»»» Em 1999, Richard Galliano grava o seu sexto álbum, Passatori , pela editora Dreyfus Jazz em Florença, Itália, com o naipe de cordas da orquestra de câmara toscana “ L'Orchestra della Toscana “e o pianista Stefano Bollani, interpretando um programa de composições originais e de trabalhos de Astor Piazzolla. Passatori é nomeado para o “Victoires de la Musique”. No mesmo ano, a Dreyfus Jazz lança um conjunto de três álbuns de concertos ainda não editados, que inclui um álbum a solo gravado a 31 de Dezembro de 1998 no Festival de Jazz de Umbria em Orvieto, um dueto com Michel Portal gravado a 29 de Outubro de 1998 em Hamburgo, e um trio com Daniel Humair e Jean-François Jenny-Clark gravado em 10 de Julho de 1996 no Festival de Jazz de Montreux. «««

»»» O ano de 2001 viu o lançamento de dois álbuns – Gallianissimo e Face To Face . O primeiro é uma compilação de grandes êxitos dos seus anos com a Dreyfus Jazz , e o segundo uma nova gravação de estúdio de um dueto com Eddy Louiss. A este último é-lhe atribuído o prémio“Django d'Or 2001” e é nomeado para o “Victoires de la Musique”. «««

»»» Em 2003, dez anos após a morte de Astor Piazzolla, a Dreyfus Jazz edita um concerto em sua honra, gravado ao vivo em sistema de gravação em duas pistas, no festival de Willisau a 29 de Agosto de 2002, com a formação de um septeto com Phillips Varjabédian (solo de violino), Lyonel Schmit (segundo violino), Jean-Marc Apap (viola), Raphaël Pidoux (violoncelo), Stéphane Logerot (baixo), e Hervé Sellin (piano). A formação do septeto que deu seu nome ao álbum Piazzolla Forever , foi ímpar pelo facto de tocar tanto em festivais de jazz como em eventos de música clássica (Festival de Jazz de Nice, Amsterdam Concerttown, Festival de Jazz de Montreux, Théâtre des Champs-Elysées, etc.). «««

 

O seu último trabalho discográfico “ Ruby, My Dear ” é gravado ao vivo em Nova York, em Fevereiro de 2005, com Larry Granadier no contrabaixo e Clarence Penn na bateria. Tudo isto sem esquecer as reedições de Blue Rondo à la Turk (1980) e Blues sur Seine em dueto com o violoncelista Jean-Charles Capon, Salsamba (1983) com Chet Baker (trompete) e músicos brasileiros, Spleen (1985) com um quinteto latino em que Richard Galliano tocou acordina (uma melódica com botões) e Panamanhattan (1990) em dueto com o contrabaixista americano Ron Carter. Richard Galliano nunca se preocupou em ser o melhor acordeonista do mundo. Interessa-lhe sim proporcionar às suas audiências o melhor de si mesmo, de "tocar a música do seu mundo", e de explorar as suas variadas raízes musicais centradas na música italiana e mediterrânica, no jazz, na canção francesa e na música clássica. É fonte de inspiração de toda uma nova geração de acordeonistas internacionais. Hoje, muitos músicos jovens tocam a sua música e "copiam" o seu estilo (existem mais de 50 versões da sua “Valse à Margaux"). Além disso, alguns dos seus antigos alunos têm desenvolvido interessantes carreiras musicais, citando apenas o exemplo de Peer Glovingen (com Gidon Kremer) e Daniel Mille.

"Richard Galliano mudou a história do acordeão: hoje podemos falar do ‘antes' e do ‘após' Galliano." (Yasuhiro Kobayashi - acordeonista japonês que acompanha Björk).