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"O Pranto de Maria Parda.
Fundamentalmente o itinerário de uma privação.
Privação dolorosa, insustentável. Privação que impõe a figura da Morte.
E aqui vem Mário Sá Carneiro.
Da falta à irrisão. À ascese.
Maria Parda no barco de Dionísio, à volta do mundo, do vinho e do teatro.
Com Caronte e Rimbaud." - Maria do Céu Guerra

Espectáculo premiado pela Unesco (Expo Sevilha'92) que põe em cena o século XVI e a Lisboa das Descobertas, através de uma alcoólica de rua que é como que um resto de uma grande aventura nacional, “a expansão”. O vinho e o cómico, desde sempre aliados no teatro, produzem nesta obra um momento alto que tem permitido ao longo dos tempos grandes representações que ficaram históricas: Aura Abranches, Palmira Bastos, etc. Maria do Céu Guerra é a representação viva desse enorme personagem que é Maria Parda de Gil Vicente.

 

Victor Pavão dos Santos, crítico e fundador do Museu do Teatro disse em “O Jornal”:

“Que me recorde, vi este monólogo interpretado por Aura Abranches, Palmira Bastos, etc. e sempre saí lamentando que um texto tão interessante resultasse tão chato. Pois com a Maria do Céu Guerra, de tal modo a recriação é feita por dentro de tudo aquilo que diz, ainda a esta hora eu podia estar lá, a vê-la que, tenho a certeza, não estaria chateado. Tá dito.”

 

MARIA DO CÉU GUERRA

 

Estreou-se no Grupo Cénico enquanto universitária. Foi um dos elementos do colectivo que fundou o espaço da Casa da Comédia. Participou na fundação do Teatro Experimental de Cascais onde viria a profissionalizar-se.

Fez revista e comédia no Teatro Variedades, Teatro ABC, e no Teatro Villaret, com peças originais de Francisco Nicholson, Mário Alberto, Nicolau Breyner, Gonçalves Preto e Rôlo Duarte, entre outros.

Foi uma das fundadoras do Teatro A Barraca, onde tem centrado a sua actividade profissional.

É directora, encenadora e actriz desta companhia, que conta já com 27 anos de actividade. Entre as dezenas de peças em que participou como actriz na Barraca não se pode deixar de mencionar o emblemático espectáculo “O Pranto de Maria Parda” de Gil Vicente, em que participa como co-autora de dramaturgia, figurinista, encenadora e actriz, com o qual ganhou o Prémio UNESCO para a difusão das artes na Expo'92 em Sevilha, e com o qual participou em inúmeros festivais em todo o mundo.

Mais recentemente protagonizou “A Relíquia” , de Eça de Queiróz, numa versão musical de António Victorino de Almeida.

 

Fez também diversos recitais de poesia dos quais se destaca “Pessoalmente 4 Poetas” com o qual já realizou mais de 60 sessões em todo o país.

Dos mais recentes trabalhos de encenação destaca-se o ciclo “P'la Mão de Gil Vicente” , no âmbito das comemorações dos 500 anos sobre a primeira representação do mestre Gil, que decorre desde Maio de 2002, composto por “A Comédia de Rubena” , “O Velho da Horta” , “A Farsa de Inês Pereira” e “O Auto das Fadas” .

Das suas participações mais recentes em televisão de salientar a participação SIC, protagonizando a sitcom “Residencial Tejo” e no cinema, de onde se destacam as longas-metragens "O Mal Amado" e "A Guerra do Mirandum" de Fernando Matos Silva; "A Fuga" , de Luis Filipe Rocha, "Crónica dos Bons Malandros" , de Fernando Lopes; "A Moura Encantada" , de Manuel Costa e Silva; "Saudades para D. Genciana" de Eduardo Geada, “Portugal SA” de Tino Navarro e “O Anjo da Guarda” de Margarida Gil entre outras longas, médias e curtas-metragens.